Autores de execução de prefeito no interior de MT são condenados a 53 anos de prisão
Os autores da execução do ex-prefeito de Colniza, Esvandir Antônio Mendes, morto em dezembro de 2017, foram condenados a, respectivamente, 28 e 25 anos de prisão pelo homicídio qualificado em decisão de júri popular realizado nesta quarta-feira (06), em Colniza.
Conforme o Ministério Público Estadual, a pena aplicada inclui ainda as condenações por tentativa de homicídio contra outras três vítimas e ainda os crimes conexos de associação criminosa e receptação.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Colniza indiciou cinco pessoas pelo crime – um empresário de Colniza e a esposa dele, e os dois executores do crime, além de um adolescente, irmão do empresário, que teve a internação provisória decretada à época e respondeu por ato análogo aos crimes cometidos. Os quatro adultos responderam por homicídio qualificado cometido por motivo fútil, por pagamento ou promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima; associação criminosa e tentativa de homicídio.
O inquérito foi concluído no final de dezembro de 2017 pelo delegado Edison Pick e contou com o apoio investigativo de uma equipe da Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá, além da união de diversas unidades operacionais das Polícias Civil e PM na busca pelos criminosos.
O empresário e os executores foram presos pela Polícia Civil logo após o crime. A dupla contratada pelo empresário para executar o crime foi presa em uma estrada entre as cidades de Juruena e Castanheira.
Os executores e o empresário fugiam de Colniza, quando foram abordados por uma equipe do Grupo Armado de Resposta Rápida (Garra), da Regional da Polícia Civil de Juína, que desde o crime, ocorrido no início da noite de 15 de dezembro de 2017, auxiliava nas investigações junto a uma força-tarefa coordenada pela Secretaria de Segurança Pública.
Com a dupla foram apreendidos R$ 60 mil, em espécie. Já o empresário, morador de Colniza e que arregimentou os dois comparsas oriundos do Pará para o crime, foi apontado como o mandante e também participou da execução do prefeito.
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De acordo com o delegado Caio Fernando Albuquerque, que conduziu as investigações junto com o delegado de Colniza, Edison Pick, o dinheiro encontrado no carro pertencia ao mandante do crime, que atuava no ramo de rede de combustível e táxi aéreo.
Crime e motivação
Antônio Esvandir Mendes conduzia uma Toyota SW4 preta quando foi interceptado pelos criminosos, em um veículo SUV preto, cerca de sete quilômetros da entrada da cidade.
A dupla de executores foi ao encontro da caminhonete e realizou diversos disparos contra o prefeito, que ainda conseguiu dirigir, mas acabou morrendo depois de entrar no perímetro urbano, na Rua 7 de Setembro. Outros dois disparos feriram um secretário da prefeitura que estava com o prefeito.
De acordo com os criminosos, em depoimento, foram usadas quatro armas de fogo no crime, mas somente um revólver calibre 38 e um fuzil 22, com numeração raspada, foram encontrados dentro de uma bolsa deixada no mato, pela Polícia Militar. As armas estavam a cerca de 15 km de Colniza, localidade onde também foi abandonada a caminhonete da ação criminosa. Duas pistolas, que segundo as informações levantadas, também foram usadas, teriam sido jogadas dentro de um rio.
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Celulares apreendidos foram analisados pela equipe da Delegacia Regional de Juína e a partir das informações obtidas foi possível identificar a participação também da mulher do empresário.
Segundo as investigações, o crime foi motivado por cobrança de dívida e o mandante, também participou da execução do prefeito. A mulher e o irmão dele foram presos dias depois do crime, por decisão judicial, após representação da Polícia Civil.
De acordo com delegado Edison Pick, a mulher tinha conhecimento do crime e acobertou a ação do marido. Em interrogatório, ela se reservou ao direito de permanecer calada. Já o adolescente, declarou que auxiliou a fuga dos executores, a pedido do irmão, mas negou que soubesse antes da ação criminosa.
Pick agradeceu o apoio das forças de segurança e de todos os que auxiliaram o esclarecimento do crime. “Agradeço o delegado Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz que disponibilizou a equipe do Grupo de Operações Especiais (GOE), delegado, Marco Bortolloto Remuzzi com a equipe do Garra de Juína, força tarefa coordenada pelo delegado Caio Albuquerque, além da equipe local, sem os quais não seria possível a rápida e eficiente resolução do caso”, destacou o delegado.
Julgamento
De acordo com o promotor de Justiça que atuou em plenário, Roberto Arroio Farinazzo Junior, o julgamento se estendeu até as 4h da manhã desta quinta-feira.
No próximo mês, irão a julgamento, na Comarca de Juara, os acusados de serem os mandantes do crime, o empresário e a mulher dele.
O pedido de desaforamento do júri foi feito pelo Ministério Público. Na ocasião, a Promotoria de Justiça argumentou que o interesse da ordem pública e a dúvida na imparcialidade dos jurados não possibilitariam o julgamento justo dos dois réus na Comarca de Colniza. Enfatizou ainda que vários jurados que foram intimados para participar das sessões de julgamento manifestaram informalmente o desejo de não participar de eventual julgamento com temor dos acusados.
Fonte: PJC MT


