Deputado apresenta requerimento sobre FCO de R$ 55 milhões à empresa acusada de pagamento de propina

O deputado estadual Wilson Santos confirmou que vai apresentar na próxima quarta-feira (22), em sessão na Assembleia Legislativa, um requerimento pedido que o Estado seja convocado à Casa para responder sobre o financiamento por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) no valor de R$ 55 milhões, concedido à empresa Caramuru Alimentos, alvo da Operação Zaqueus, em 2017.
O benefício foi publicado no último dia 10 de março, no Diário Oficial do Estado (DOE), onde consta o valor milionário do financiamento para a empresa de Sorriso. O total do custo é de R$ 92 milhões, destes R$ 55 milhões por meio do FCO.
Sem dar ainda muito detalhes, Wilson Santos, confirmou à reportagem que pretende ouvir a justificativa do Estado em conceder tal financiamento à uma empresa, que teria pago uma propina de R$ 1,8 milhão a agentes de tributos estaduais para reduzir um “auto de infração” (multa) contra de R$ 65.938.391,10 para R$ 315.000,00 – um “desconto” de 99,5%, de acordo com a Polícia Civil.
Os servidores da Sefaz-MT, André Neves Fantoni, Alfredo Menezes Mattos Junior, e Farley Coelho Moutinho, são acusados de fazer parte do esquema e tiveram mandados de prisão preventiva decretados em maio de 2017.
Dono da Caramuru, Alberto Borges de Souza: “eu me arrependo da exigência dos pagamentos de propina”, disse à época dos fatos
Os três, porém, já se encontram fora da prisão. A operação “Zaqueus”, deflagrada em virtude da suposta fraude, contou com o apoio da Defaz-MT e do Gabinete de Transparência e Combate a Corrupção do Governo de Mato Grosso. As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá (um mandado de prisão, um de busca e apreensão e outro de condução coercitiva) e também no Rio de Janeiro (RJ) – onde se cumpriu dois mandados de prisão e um de busca e apreensão.
O advogado Themystocles Ney de Azevedo de Figueiredo foi o autor da denúncia que originou a operação “Zaqueus”. Ele relatou à Delegacia Fazendária que ajudou a “lavar” o dinheiro recebido pelos servidores públicos e tomou a iniciativa de “delatar” o esquema após ver seu nome na imprensa em outra denúncia envolvendo a Caramuru.