6 de abril de 2025

Gatos e crescimento de VG dificultam o abastecimento regular de água, diz DAE

Ao assumir a presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, no início de 2021, Carlos Alberto Simões de Arruda já podia prever o desafio que lhe esperava: lidar com a crise de abastecimento de água que enfrenta o município.

Já em fevereiro do mesmo ano, veio o primeiro problema. Por um problema eletromecânico em uma Estação de Tratamento de Água (ETA), ao menos 10 bairros tiveram o acesso à água prejudicado. Mesmo com a aquisição do maquinário, Várzea Grande está distante de conseguir atender toda a população.

Simões conversou com o RDNEWS nesta semana e, de acordo com ele, um dos fatores que dificulta o abastecimento são as ligações irregulares, os chamados “gatos”, o crescimento desenfreado do município e a complexidade com a gestão do saneamento.

“Acontecem muitas perdas por inadimplência e ligações indevidas e irregulares. Hoje, falamos em torno de 40 mil ligações irregulares em um universo em torno de 80 a 90 mil ligações. Quase a metade está como ligação irregular”, disse.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista

Quais são os principais problemas identificados no sistema de abastecimento em Várzea Grande?

Felipe Albuquerque

Carlos Alberto Sim�es de Arruda _dae

A questão da água não é um problema fácil de resolver. Nós tratamos de funções eletromecânicas e por mais que você faça a proteção, ela falha. É um desgaste normal de um equipamento que funciona 24 horas por dia e precisa fazer um descanso obrigatório para fazer a compensação e a manutenção disso.

O saneamento tem quatro vertentes: o tratamento e distribuição de água, a coleta, o tratamento e a distribuição do efluente já tratado, além da coleta e destinação dos resíduos sólidos e a questão da drenagem. Então é preciso ter um olhar do saneamento como um todo.

E quais foram as soluções encontradas?

Especificamente no DAE a gente pode falar de várias ações. Fizemos um primeiro esboço de planejamento para os 4 anos da administração do Kalil Baracat. Separamos em quatro grandes linhas, que é a oferta da água, a qualidade da água e do esgoto, as despesas e a manutenção e o planejamento dessas ações que a gente precisa fazer. Não é uma coisa tão simples, é complexa porque é muito dinâmica.

Existem relatos do desabastecimento de casas que chegam a ficar dias sem água. Ao que isso pode ser atribuído?

Houve um problema no dia 4 de fevereiro, por exemplo, que uma descarga elétrica ocasionou a queima de um dos motores e o sistema de proteção desse motor. Tínhamos dois motores em funcionamento, um que era o reserva e o outro que funcionava. O que estava em funcionamento queimou e está na bancada para fazer a recuperação. A gente tem a determinação do prefeito para aquisição de um novo bombeador, e isso demora de 40 a 50 dias. Então é um aparelho específico para atender essa demanda.

Então você considera que sejam problemas pontuais? Não existe um fator específico para o problema como um todo?

São pontuais. O que acontece é que a gente não pode de ter esses conjuntos prontos para substituir essas eventualidades. O que aconteceu é que nós não tínhamos um terceiro conjunto para substituir, porque esse que está funcionando a qualquer momento pode pifar e eu não tenho essa terceira opção. Um está em reforma e eu não tenho mais o segundo.

Com a chegada desse equipamento, grande parte dos problemas de abastecimento será solucionada?

Na verdade, estamos falando de produção. De abastecimento e distribuição é outra conversa. O que acontece é que não temos volume produzido suficiente para atender a população de Várzea Grande. Acontecem muitas perdas por inadimplência e ligações indevidas e irregulares. Hoje, falamos em torno de 40 mil ligações irregulares em um universo em torno de 80 a 90 mil ligações. Quase a metade está como ligação irregular.

E de que maneira isso influencia no desabastecimento?

Imagine que você tem uma caixa de água de mil litros e o seu vizinho tem uma de 400. Só que ele não tem bóia e não tem medidor. Ele não paga e você paga pelo bem finito que é a água. Ele não cuida, deixa desperdiçando porque não tem o compromisso do bolso dele que a água seja usada racionalmente.

Quais outros problemas podem ser atribuídos ao problema de distribuição?

Pode acontecer uma Parceria Público Privada? Pode. Mas isso vai se desenhar ao longo do tempo, e não da forma que está hoje

Carlos Alberto

O que aconteceu e o que acontece ao longo do tempo é que Várzea Grande cresceu muito e cresceu muito acima do crescimento médio nacional. É difícil cumprir o planejamento por melhor que ele esteja desenhado. Você pode planejar o crescimento de uma cidade de uma cidade para uma média de 1,6% ao ano, e aqui nós estamos trabalhando com um crescimento de 6% a 8%. Isso é um volume muito grande.

Existe um percentual de quanto de esgoto é tratado?

Entre coletado e tratado temos 22%. Mas temos em andamento uma estação de tratamento para que 60% da população seja atendida. A gente está falando de um conjunto como um todo, também as redes coletoras e as ligações domiciliares dessa bacia, que é a bacia 2. Não chega aos 82% de esgoto tratado porque a conta não é dessa projeção. Nós estamos falando de 22% que está sendo tratado, e parte desse universo que hoje vai ser beneficiado com essa estação já é tratado e vai ter uma destinação mais duradoura. Isso faz parte do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) e tem o valor de R$ 83 milhões.

Há a previsão de construção de novas estações de tratamento de água e esgoto?

Estão em curso 3 estações de tratamento de esgoto e 2 estações de tratamento de água. De esgoto é da Ginco, Chapéu do Sol e Parque Genebra. De água é do Cristo Rei e do Chapéu do Sol.

Os problemas de distribuição e abastecimento acontecem necessariamente na periferia ou atingem outras partes do município?

É a situação da cidade como um todo. Quando a gente fala em abastecimento de água, temos que equalizar o sistema. Temos dois grandes sistemas, o 1, que é o mais antigo que atende o Centro, e o sistema 2, que atinge a região do Mapim, Jardim do Sol, São Matheus. Então são sistemas distintos e o tratamento é feito de forma separada. Eles não se interligam ainda e a ideia é fazer a interligação desses sistemas e fazer um manejo e um equilíbrio mais adequado para esse sistema de produção e distribuição.

O que será feito a curto prazo?

Temos em curso estudos detalhados dos sistemas de abastecimento. Nós já estamos desenhando a instalação de 12 macromedidores que vão poder medir o que é bombeado, o que é produzido e o que é distribuído. Isso é importante para a gente poder saber o quanto está se perdendo. Enquanto a gente não souber disso, nós estamos apenas imaginando que as perdas sejam grandes ou pequenas. Eu preciso saber se a água que sai da estação está chegando aonde precisa chegar. O que temos hoje são controles empíricos, que não funcionam com o detalhamento mínimo que a gente precisa.

Felipe Albuquerque

Carlos Alberto Sim�es de Arruda _dae

Há a estimativa e expectativa de que o DAE seja concedido para a iniciativa privada?

Quando a gente fala de formas de gestão, tudo é possível. Eu fui colocado aqui para que isso não aconteça. O prefeito é contrário inicialmente à privatização, mas o que eu quero dizer para a senhora é que nós precisamos de um investimento aproximado de R$ 400 milhões ao longo do tempo, e isso é muito dinheiro. Se qualquer empresa for comprar o DAE, vai pegar de onde o dinheiro? Vai pegar dinheiro público. Então é muito melhor nós tomamos a frente disso e fazer com que aqui não tenha lucro, mas que o atendimento a comunidade seja feito com qualidade e decência. Pode acontecer a privatização? Pode. Pode acontecer uma Parceria Público Privada? Pode. Mas isso vai se desenhar ao longo do tempo, e não da forma que está hoje. Não existe nenhuma tratativa no momento.

FONTE: RDNEWS

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